O que agrega? Tudo bem que o que costumamos ver nas passarelas são as benditas tendências, mas o que isso aí embaixo acrescenta nas tendências de cabelo e make? Precisa ficar feio? Na boa, isso não inspira nem a comprar a roupa nem a maquiagem. Se é pra mostrar que a tendência pede olhos marcados e cabelos desfiados como nos anos de guaraná com rolha, é só fazer um belo olho e um super coque fofão, um cabelo à la Catherine Deneuve…
E o pior, esses makes mortos justamente no Rio Fashion Week… justamente na cidade que tem Bibi Sucos a cada esquina, saladinhas deleciosas e aquele ar de praia tão saudável…
Olhos marcados... sei.... (Foto site GNT)
Supersaudável... (site GNT)
Sai na rua assim... (Foto O Globo)
Alessandra, o “make” (antigamente não encurtavam. Mas antigamente eu não era nascida…) e o cabelo das modelos de passarela NÃO TÊM QUE SER BONITOS! Eles precisam apenas provocar um efeito X, definido pelo estilista, para dar o clima que ele quer para a coleção que desenhou. E mesmo os modelos das roupas que são expostas não precisam ser exatamente “humanos”. O Galiano, por exemplo, faz coisas maravilhosas, mas totalmente alegóricas. É estilo o que eles desfilam, não roupas. No carnaval da passarela — não é à toa que o “evento” e a “pista” têm o mesmo nome na moda e na festa de Momo — as grifes não vendem roupas, mas a imagem, a fantasia da marca. Uma grife é clássica e classuda, outra é ousada e “Rock´n´Roll”. Aquele aparato todo, o tititi no “back” — outra expressão que é do tempo em que eu ainda não habitava este mundo –, as modelos famosíssimas, os convidados se engalfinhando pelos lugares na primeira fila, produtores, assessores, estagiários semi-escravizados, tudo aquilo é pra vender perfume e prêt-a-porter. É igualzinho ao carnaval: ninguém vai à praia com biquini de passista, nem vende acarajé na rua com a mesma roupa das baianas de escola de samba. Mas o desfile vende a idéia de que tudo aqui é batuque e pouca roupa. É pura alegoria.
Comment por ReSilver — 12 de fevereiro de 2010 @ 0:11